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UMA NOVA FORMA DE LIBERDADE

Lenacapavir e o futuro da prevenção do HIV na Brasil.

Imagem provisória — TEVAR. Fonte: https://www.tevarmag.com/stories/a-new-kind-of-freedom

Redação JEITO

UMA NOVA FORMA DE LIBERDADE

Lenacapavir e o futuro da prevenção do HIV no Brasil

Um avanço extraordinário na prevenção do HIV está abrindo novas possibilidades. No Brasil, o medicamento já recebeu aprovação regulatória. O próximo desafio é garantir que o progresso científico chegue a todas as pessoas que possam se beneficiar dele.

Liberdade sexual é muito mais do que quem amamos, quem desejamos ou como expressamos nossa identidade. Também significa ter conhecimento, opções e confiança para cuidar de nós mesmos.

E a ciência está criando novas possibilidades.

Conheça o lenacapavir, um medicamento de ação prolongada que oferece uma nova abordagem para a prevenção do HIV. Utilizado como profilaxia pré-exposição, ou PrEP, ele pode oferecer proteção por meio de injeções administradas duas vezes ao ano, após um esquema inicial de doses.

Os estudos clínicos demonstraram um nível excepcionalmente alto de proteção contra a infecção pelo HIV por via sexual. Para quem tem dificuldade em manter uma rotina de medicação diária, isso pode representar uma transformação importante.

Não se trata apenas de um novo medicamento. É mais uma maneira de fazer a prevenção se adaptar à vida das pessoas, em vez de exigir que as pessoas reorganizem suas vidas em função da prevenção.

Por que isso importa para o Brasil

O Brasil tem uma longa trajetória de protagonismo na resposta global ao HIV, incluindo seu compromisso com o acesso universal à prevenção e ao tratamento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

A PrEP oral já está disponível pelo SUS, oferecendo a pessoas que não vivem com HIV uma opção estabelecida para reduzir o risco de infecção. Em julho de 2026, o Ministério da Saúde informou que aproximadamente 356 mil pessoas já haviam iniciado o uso da PrEP pelo sistema público de saúde.

Agora, uma nova possibilidade começa a ganhar espaço.

Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou uma nova indicação do lenacapavir para a prevenção do HIV, comercializado sob o nome Sunlenca. A aprovação contempla adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que estejam sob risco de adquirir o HIV-1 por via sexual.

É um marco importante. O Brasil deixou de apenas discutir a possibilidade desse medicamento: seu uso como PrEP já recebeu aprovação regulatória.


Mas aprovação não significa disponibilidade imediata.

Antes de chegar ao mercado, o Sunlenca ainda precisa ter seu preço máximo aprovado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Para que seja oferecido pelo SUS, também é necessária uma avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC), seguida de aprovação pelo Ministério da Saúde.

Há, porém, outro avanço promissor. Em setembro de 2026, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) anunciou uma nova possibilidade de aquisição que inclui o Brasil. Por meio dos Fundos Rotatórios Regionais da organização, os países participantes poderão ter acesso ao lenacapavir, respeitando os processos regulatórios e programáticos de cada país.

A oportunidade é significativa. Mas a verdadeira medida do progresso será saber se o medicamento se tornará acessível e financeiramente viável para as pessoas que precisam dele, independentemente de onde vivam.

Prevenção sem preconceito

Para as comunidades LGBTQIA+ no Brasil, cuidar da saúde sexual pode envolver muito mais do que questões médicas. Privacidade, expectativas sociais, discriminação e medo de julgamentos podem influenciar a decisão de procurar atendimento.

Por isso, a conversa sobre PrEP é tão importante quanto o próprio medicamento.

Usar PrEP não é admitir irresponsabilidade. É uma decisão de saúde. Querer proteger sua saúde não define sua sexualidade, seus relacionamentos ou seu caráter.

E viver com HIV não é uma falha moral. Pessoas que vivem com HIV merecem dignidade, amor e relacionamentos plenos. O tratamento eficaz pode reduzir a quantidade de vírus no organismo a níveis indetectáveis. Quando uma pessoa alcança e mantém uma carga viral indetectável, não transmite o HIV por via sexual. É o princípio conhecido como I=I: Indetectável = Intransmissível.

Substituir o estigma por informação correta ajuda a criar espaço para que cada pessoa faça escolhas conscientes, sem vergonha ou julgamento.

O que você pode fazer hoje?

Você não precisa esperar que o lenacapavir esteja amplamente disponível no Brasil para cuidar da prevenção do HIV.

A PrEP oral já está disponível pelo SUS. Converse com um profissional de saúde qualificado ou procure um serviço público de saúde sexual para saber mais sobre acesso, indicação, testagem e acompanhamento.

Os preservativos continuam sendo importantes para reduzir o risco de HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A PrEP protege especificamente contra o HIV, mas não contra outras ISTs ou uma gravidez não planejada. A realização periódica de exames e conversas abertas com parceiros também ajudam a tomar decisões mais conscientes.

O lenacapavir também exige um teste de HIV antes do início do uso e acompanhamento adequado. Não é uma vacina nem substitui os cuidados médicos. Quem considera utilizar PrEP deve conversar com um profissional de saúde sobre as opções disponíveis.

Se as injeções semestrais ainda não estiverem acessíveis onde você mora, informe-se sobre as alternativas de prevenção já existentes, em vez de acreditar que precisa esperar.

O futuro pertence às possibilidades

O lenacapavir não vai resolver todos os desafios da resposta brasileira ao HIV. Preço acessível, acesso igualitário, serviços de saúde confiáveis e liberdade de discriminação continuam sendo fundamentais.

Mas a ciência representa um avanço significativo: mais opções para proteger a própria saúde, com potencial para tornar a prevenção mais fácil de incorporar ao cotidiano.

O Brasil já deu um passo importante ao aprovar o lenacapavir para a prevenção do HIV. O próximo capítulo precisa ser sobre acesso: garantir que essa inovação não permaneça uma alternativa disponível apenas para quem pode pagar por ela.

As conversas sobre sexualidade merecem honestidade, confiança e liberdade de julgamento. A saúde sexual faz parte dessa conversa — não como um alerta contra o prazer, mas como parte de uma vida plena.

O futuro da prevenção do HIV não consiste em dizer às pessoas como devem viver. Consiste em garantir que tenham conhecimento, assistência médica e opções para viver de acordo com suas próprias escolhas.

Mais opções. Mais acesso. Sem preconceito.